Ciúme faz parte do amor?

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Regina Navarro Lins

“Não concordo que o ciúme faça parte do amor. As pessoas foram condicionadas a acreditar nisso. É comum encontrarmos pessoas que sentem muito ciúme mesmo sem amar o outro.


Não é fácil lidar com o ciúme, porque o adulto aprendeu a viver o amor de um modo que é, em quase todos os aspectos, semelhante à forma da relação amorosa vivida com a mãe pela criança pequena. Por se sentir constantemente ameaçada de perder esse amor — sem o qual perde o referencial na vida e também fica vulnerável à morte física — a criança se mostra controladora, possessiva e ciumenta, desejando a mãe só para si.


Quando surge uma relação amorosa, os adultos passam de uma dependência para outra. Assim, é por intermédio da pessoa amada que se tenta satisfazer as necessidades infantis. Reeditando a mesma forma primária de vínculo com a mãe, o antigo medo infantil de ser abandonado reaparece e a pessoa amada se torna imprescindível. Não se pode correr o risco de perdê-la. O controle, a possessividade e o ciúme passam, então, a fazer parte da relação.

”http://rederelacoeslivres.wordpress.com

sexta 27 janeiro 2012 17:45 , em Meu mundo pelo avesso


Saiba quais são os tipos mais comuns de ciúme e aprenda a driblá-los

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Heloísa Noronha
Do UOL, em São Paulo

  • Muitos ciumentos sofrem com situações hipotéticas, e que têm chances remotas de se concretizar

sexta 27 janeiro 2012 17:43


COMO TERMINAM OS CASAMENTOS FELIZES ...

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quinta 26 janeiro 2012 12:15


Baseado no tantra e taoísmo, livro ensina a ser "amante perfeito"; leia trecho

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DENISE DE ALMEIDA
colaboração para a Livraria da Folha

 

Divulgação
Psicoterapeuta cita sabedoria oriental para dar dicas sexuais
Psicoterapeuta cita sabedoria oriental para dar dicas sexuais

Em "Os Segredos do Amante Perfeito" (Sextante, 2009), a psicoterapeuta Mabel Iam recorre à sabedoria oriental para mostrar a importância da preparação para o amor e do ritual sexual em diversos aspectos da vida.

Mabel compara o homem e a mulher ao símbolo taoísta do yin-yang e afirma ser necessário o equilíbrio entre as forças feminina e masculina para ambos se fortalecerem e intensificarem sua essência vital.

"O homem precisa aprender a prolongar o ato sexual sem alcançar o orgasmo para que ambas as energias possam se fundir. Ao aumentar o tempo de permanência do pênis dentro da mulher, ele absorve mais essência yin, que irá, por sua vez, revitalizá-lo", revela a autora.

O objetivo do livro --que já foi traduzido para dez idiomas-- é ser um guia para quem quer fortalecer os relacionamentos sexuais e descobrir os segredos do prazer e intimidade. Com base em princípios do tantra e do taoísmo, ensina, em linguagem acessível, técnicas e conselhos para equilibrar o corpo e a mente na busca pelo amor ilimitado.

Para aproveitar o melhor do sexo e aumentar a paixão, a obra orienta a utilizar diversos recursos, como visualizações eróticas, meditações, aromaterapia, massagens e alimentos afrodisíacos.

Mabel Iam também é autora de "A Dieta do Amor", que explora as possibilidades do Kama Sutra, e já escreveu mais de 15 livros. Em 2006, ela ganhou o Prêmio de Literatura Internacional como melhor livro de autoajuda --na Feira Internacional do Livro, em Washignton, nos EUA-- e, em 2003, conquistou o Prêmio de Literatura Latino-Americana --na Feira do Livro de Los Angeles--, na categoria de melhor livro de autoajuda em língua espanhola.

Leia abaixo um trecho do livro.

Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro "Escrevendo pela Nova Ortografia".

*

O prazer do tao e a polaridade do sexo

O tao: o yin-yang do sexo

Quando a mulher se une ao homem no sexo, todo o poder mágico do Universo se integra a esse ato.

A união do feminino com o masculino

Embora seja impossível datar com precisão a origem da filosofia taoísta, sabe-se que por volta do ano 500 a.C. o sábio chinês Lao-Tsé compilou seus princípios básicos no livro que hoje conhecemos como Tao Te Ching.

Se o propósito do tao é aprender o caminho supremo para a auto-realização do ser humano, o propósito do tao de um casal é integrar o amor com o sexo e unir as energias masculina e feminina.

Representação do tao

O tao é a união de dois princípios: o yin e o yang. O símbolo do yin-yang é um círculo dividido em duas partes por uma linha em forma de S, sendo que uma das metades é preta e a outra é branca.

O círculo representa a unidade do Universo, com aspectos yin (preto) e yang (branco), inseparáveis na manifestação do todo. Dentro de cada metade existe um círculo menor da cor oposta, o que significa que um princípio contém a semente do outro. No momento mais elevado da ação e da expressão, cada princípio se transforma no seu oposto para que a força do equilíbrio eterno continue operando.

O equilíbrio do Universo depende da polaridade

De acordo com o tao, o Universo é o produto da polaridade existente dentro da unidade primordial: repouso e movimento, contração e expansão, condensação e dispersão, avanço e recuo. Desde as manifestações mais simples e peculiares até as mais complexas e universais, cada ser expressa essa polaridade original. A inter-relação entre o yin e o yang gera todas as coisas vivas que habitam o Universo.

A filosofia taoísta se baseia na busca do equilíbrio e na integração de forças formadas por energias opostas que se complementam.

Yin e yang

A energia yin representa o feminino: a passividade, a noite, a umidade, o frio, a água e a Lua. A mulher, com todas as suas secreções e fluidos sexuais, constitui a essência yin que fornece a proteção necessária para que o sêmen do homem se torne um embrião.

A mulher contém uma reserva inesgotável de energia yin que é ativada pela excitação sexual. O orgasmo feminino fortalece a energia vital, melhora a saúde e prolonga a juventude.

Pelo fato de o potencial sexual de uma mulher ser mais aberto e energético, quase todos os textos sobre o assunto enfatizam o treinamento do homem, para que os dois amantes possam alcançar o mesmo nível de satisfação.

A energia yang representa o masculino: a atividade, o dia, a aridez, o Sol e o fogo. O esperma do homem é uma dádiva preciosa, a fonte de sua saúde física e de sua energia vital. Essa energia vital diminuirá se não for compensada pela mesma quantidade de energia yin feminina, e é por isso que o homem deve buscar satisfazer a mulher todas as vezes que tiver relações com ela. Dessa maneira, um beneficia o outro durante o ato amoroso: ele fortalece a própria essência vital e ela estimula e intensifica a própria essência yin.

De acordo com o raciocínio taoísta, a característica sexual do yin é a excitação mais lenta, o que também significa que a mulher precisa de mais estímulo sexual. A característica sexual do yang, por outro lado, é a excitação mais fácil, o que permite que o homem alcance o prazer máximo em pouco tempo.

O homem precisa aprender a prolongar o ato sexual sem alcançar o orgasmo para que ambas as energias possam se fundir. Ao aumentar o tempo de permanência do pênis dentro da mulher, ele absorve mais essência yin, que irá, por sua vez, revitalizá-lo.

Quando a força yang de um homem e a força yin de uma mulher se unem, elas criam vida no Universo.

Prazer infinito

Existem exercícios físicos e mentais que ajudam os casais com problemas sexuais a encontrar o equilíbrio. Essas técnicas antigas são muito eficazes para aqueles que desempenham papéis rotineiros, estereotipados ou rígidos no sexo, muitas vezes responsáveis pela perda do desejo.

Em primeiro lugar, os amantes devem ampliar a ternura de seus sentimentos, expressando-os por meio de carícias. Cada parceiro toca o outro de maneira suave e delicada, com a sensibilidade yin. E não deve usar apenas a boca e os dedos, mas o corpo todo, incluindo os lugares que não costumam ser explorados de maneira erótica.

Enquanto os parceiros se acariciam, ambos podem se concentrar mentalmente na imagem do Sol envolvendo a Lua com seus raios de luz - duas energias vitais que se integram.

O homem precisa excitar a mulher até que ambos sintam suas zonas erógenas bastante úmidas. Depois de alcançarem essa sensação yin, chega o momento da intervenção do yang, com o homem penetrando a mulher até que os dois obtenham o máximo de prazer.

Ao concluir o ato sexual num estado de êxtase, é interessante que o casal aguarde alguns minutos até que seus corpos fiquem totalmente relaxados. Após esse breve repouso, os amantes devem visualizar a imagem do céu e da terra integrados, enquanto se dão as mãos e se beijam.

Se as carícias recomeçarem, os parceiros podem voltar a ficar excitados e repetir o ato sexual mais de uma vez.

Fazendo esses exercícios todos os dias durante certo período, o homem e a mulher conseguirão harmonizar suas energias yin e yang e experimentarão a mais elevada personificação do amor.

*

"Os Segredos do Amante Perfeito"
Autor: Mabel Iam
Editora: Sextante
Páginas: 160
Quanto: R$ 19,90
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou na Livraria da Folha

quinta 26 janeiro 2012 12:12


A arte de se relacionar

Blog de anaguevarameirise :UMA LENDA NA PRINCESA DO SERTÃO..., A arte de se relacionar

Como as seis habilidades fundamentais que compõem a nova teoria da inteligência social - a capacidade de lidar com as outras pessoas - podem garantir o sucesso na vida pessoal e profissional

Débora Rubin

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Sim, o gene da gentileza existe. E, segundo estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, que fez a descoberta, a chance de se nascer com ele é uma em três. Os felizardos portadores do genótipo GG, como é chamado, são aqueles simpáticos, extrovertidos, bem-relacionados e sempre dispostos a ouvir o que os outros têm a dizer. Os demais tipos, AG e AA, tendem à desconfiança e não são lá muito sensíveis às necessidades alheias. Mas se você não se reconhece nos “gegê”, não se preocupe. A arte de se relacionar, cada vez mais apontada como item fundamental para se alcançar e manter o sucesso na vida pessoal e profissional, virou uma espécie de obsessão dos estudiosos do comportamento humano nos últimos anos e do trabalho deles vem emergindo uma série de conclusões mostrando que o destino genético, neste caso, não é definitivo e que existem outras maneiras de adquirir aquilo que a biologia lhes negou. Uma delas é aprimorar a sua inteligência social, um novo conceito que começa a ganhar espaço em consultórios de psicologia, lares e até mesmo nas empresas e que pode ser definido como a capacidade de lidar com as outras pessoas e entender os sentimentos alheios. “Melhorar nossas competências sociais é fundamental para se ter mais qualidade de vida”, afirma a psicóloga Mônica Portella, do Centro de Psicologia Aplicada e Formação do Rio de Janeiro (CPAF-RJ), autora do livro “Estratégias de THS – Treinamento em Habilidades Sociais” e uma das principais propagadoras da chegada de uma era da inteligência social.

O conceito segue na esteira de um outro fenômeno da psicologia, a propagada inteligência emocional – termo que ficou mundialmente famoso nos anos 1990, a partir dos best-sellers do psicólogo americano Daniel Goleman, e se tornou uma espécie de referência para avaliar as probabilidades de uma pessoa ser bem-sucedida. Quanto maior a capacidade de identificar os nossos sentimentos e dos outros, de nos motivar e gerir bem nossas emoções e relacionamentos, maior o coeficiente de inteligência emocional. A inteligência social, por sua vez, está atenta à forma como o indivíduo ocupa seu espaço nos ambientes coletivos. E propõe uma verdadeira ginástica psicológica para exercitar habilidades atrofiadas de convivência. Pelos preceitos da psicologia positiva, quando se treina constantemente determinadas habilidades, é possível ajeitar defeitos de fabricação e construir relacionamentos saudáveis. Segundo especialistas que se debruçaram sobre o tema, são seis as habilidades que devem ser trabalhadas: comunicação verbal, não verbal, assertividade, autoapresentação, feedback e empatia (leia quadros).

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PARCEIROS
Adriano Oliveira, do Rio, não conseguia ter uma boa relação
com o filho Lucas. Lançou mão da assertividade, passou a se
expressar de forma clara e honesta e hoje são grandes amigos

Aperfeiçoar a arte de falar e escutar, saber a melhor forma de se portar e vestir em situações distintas, conseguir dizer não quando necessário, dar feedbacks (o popular retorno) sem gerar mágoas e estar atento às necessidades do outro são o que os teóricos da inteligência social chamam de “desenvolver o ouvido emocional.” Essas características pessoais, obviamente, não são novas, nem mesmo algumas das técnicas utilizadas para desenvolvê-las. O que os especialistas fizeram foi reunir conceitos em alta na sociedade contemporânea e formatar uma nova embalagem, tal qual ocorreu com a inteligência emocional. E aplicá-los de uma forma mais direta, de acordo com a necessidade do freguês. O psicólogo Adriano Oliveira, 47 anos, decidiu beber de sua própria fonte, a terapia, para aparar as arestas do relacionamento turbulento que tinha com o filho Lucas, hoje um jovem de 18 anos. Cearense radicado no Rio de Janeiro, Oliveira foi criado dentro de um modelo patriarcal tradicional. Ao copiar seu genitor, quase perdeu o filho. Separado da mãe de Lucas desde que o menino tinha sete anos, ele só via o filho a cada 15 dias, até que o garoto não quis mais ir para a casa do pai. A reconquista aconteceu gradativamente, mas começou quando o psicólogo se deu conta de que não sabia pedir desculpas se exagerava na dose. “Também percebi que não sabia dar carinho, coisa que ele me cobrava muito.” O terapeuta desenvolveu, entre outras habilidades da inteligência social, a assertividade, ou seja, a capacidade de se expressar de forma clara e honesta.

O mundo do trabalho também vem exigindo cada vez mais pessoas com altos coeficientes de inteligência social. Uma pesquisa feita com 46 mil executivos brasileiros pelo Grupo Catho identificou que entre os principais fatores na contratação de um funcionário estão o desempenho dele na entrevista e suas competências comportamentais (curiosidade: fluência em inglês ficou na lanterninha). Segundo Regiane Chaves, responsável pelo recrutamento da indústria de alimentos Nestlé, as competências comportamentais representam de 70% a 80% do que sua equipe avalia durante o processo seletivo. “As habilidades técnicas estão no currículo e são sempre mais fáceis de desenvolver posteriormente; já as comportamentais são mais difíceis”, diz. Regiane conta que, durante a seleção, pede que a pessoa relate algum episódio de um emprego anterior na qual ela teve que lidar com uma situação difícil. “É por meio desse depoimento que vamos ver como ela trabalha em equipe, com as hierarquias, como age num momento de crise.” Uma vez funcionário da Nestlé, há programas de treinamento dessas competências, em especial dos líderes. As empresas estão cada vez mais preocupadas com a inteligência social e emocional de seus funcionários por causa da “guerra de talentos” que está acontecendo no mercado aquecido. “Quando uma pessoa tem um comportamento inadequado, isso ajuda a afugentar talentos – principalmente quando essa pessoa é o líder da equipe”, afirma Regiane.

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RETORNO
Fernanda (à esq.), de São Paulo, carrega consigo a máxima do mundo
corporativo de que o feedback deve ser profissional e nunca pessoal

Paulo Almada, 33 anos, engenheiro que mora em Florianópolis (SC), aprendeu a importância de desenvolver a inteligência social nos primeiros anos de profissão. “Buscar conhecimento técnico e atualização na minha área é fácil, está tudo nos livros e manuais”, diz. Já saber se relacionar com os colegas sem perder o foco em brincadeiras e longe das intrigas era um desafio um pouco mais complexo. Almada investiu em um curso focado em desenvolvimento humano e faz do aikido, arte marcial japonesa, seu aliado para manter a atenção. “Já consigo me expressar melhor e, principalmente, ouço mais.” A habilidade da inteligência social mais trabalhada pelo engenheiro foi a comunicação.

O consultor de executivos Dino Mocsányi é expert em capacitar líderes de grandes empresas e levanta a bandeira de que as corporações deveriam investir cada vez mais nesse tipo de treinamento. Uma das maiores dificuldades do mundo corporativo, acredita, são os ruídos de comunicação. “Vivemos em tempos em que todos querem falar e ninguém têm paciência para ouvir”, afirma. A paulistana Fernanda Tonon, 34 anos, que foi gestora na área de tecnologia da informação durante 15 anos, lembra de mais um problema: os chefes que não sabem dar retorno (ou feedback, na linguagem corporativa). “Tive um que vivia dizendo que eu deveria deixar de ser desbocada, mas nunca apontava quais eram as minhas deficiências profissionais”, diz ela, que mudou radicalmente de área e agora usa o que aprendeu com a inteligência social, e a maneira certa de dar e receber retornos, em seu consultório, como terapeuta junguiana.

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BEM-ESTAR
Para conseguir treinar a sua empatia e se colocar no lugar do outro – no caso,
seus funcionários –, a carioca Claudia mergulhou nos cursos de autoconhecimento

Saber estabelecer uma comunicação fluida não é tão simples quanto parece. Além de afinar o ouvido e saber a hora certa de se pronunciar, o corpo deve estar de acordo com o que se fala. “Se uma pessoa me diz que está feliz, mas seus ombros estão caídos e o rosto é inexpressivo, fica difícil acreditar no que sai de sua boca”, diz a fonoaudióloga Camille Pinho. O tom da voz, o ritmo, a intensidade da fala e até a roupa usada pelo interlocutor – a tal da autoapresentação, outro item que compõe a inteligência social – podem estar em desacordo com a palavra dita. Saber ler o interlocutor é também parte dessa arte. No entanto, algumas expressões estão passando despercebidas. “Nossas pesquisas revelam que o medo, a tristeza e a raiva têm perdido espaço na sociedade moderna”, diz o especialista em leitura de expressões faciais e corporais João Oliveira, autor do livro “Saiba Quem Está à Sua Frente” (Wak Editora).

Entender os sentimentos contidos nos gestos e captar as mensagens subliminares na fala dos outros era questão de honra para o engenheiro e gestor de projetos Beto Caleffi, 49 anos, de Porto Alegre. Caleffi trabalha numa empresa de tevê a cabo com 450 empregados e viaja o Brasil inteiro para implantar projetos. O diálogo constante com funcionários dos mais variados níveis exige dele maleabilidade. “Se alguém me recebe de braços cruzados, sei que está fechado para mim e tento logo mostrar que não represento uma ameaça”, diz. O empenho, obtido sobretudo no curso de leitura de sinais e no de programação neurolinguística (PNL), rende frutos na vida pessoal. “Você estabelece relações mais verdadeiras, pois não cria subterfúgios para ser quem é”, diz ele, um craque na comunicação não verbal. Seja em casa, no trabalho ou no supermercado, Caleffi tem como mantra fazer o bem para colher coisas boas.

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FOCO
Paulo Almada, de Florianópolis, fez cursos direcionados e pratica
aikido, arte marcial japonesa, para melhorar a capacidade de
comunicação e manter atenção total em suas conversas

Esse, aliás, é o lema preferido do consultor e especialista em networking George Fraser. Em seu livro “Click – Dez Verdades para Construir Relacionamentos Profissionais Extraordinários” (BestBusiness), ele aponta como a verdade mais importante a máxima bíblica totalmente ignorada nas relações profissionais: ame, sirva, ajude o próximo. Só assim, diz o autor, é possível aumentar o círculo de pessoas com as quais mantemos relacionamentos saudáveis. “Saber se relacionar é a base de tudo”, afirma Fraser, que escreveu o livro para mostrar que networking não tem a ver com conseguir algo dos outros, mas sim com oferecer o que você tem de melhor. A escola de desenvolvimento humano deste americano de 66 anos foi a própria vida. Órfão e sem grandes expectativas, ele decidiu desafiar os que lhe aconselharam a fazer um curso técnico e se dar por satisfeito. Conseguiu cursar uma universidade, virou executivo de multinacionais e deixou a promissora carreira para abrir sua própria consultoria. “Muito cedo eu percebi que se fosse legal com as pessoas, ouvisse mais, sorrisse mais e servisse mais, teria ajuda”, diz. “E elas começaram a me ajudar.” O americano percebeu sozinho que a chave do sucesso seria cultivar relações. Talvez ele seja um felizardo “gegê”, o gene da gentileza.

No estudo conduzido pela cientista Aleksandr Kogan, 23 casais com o mapeamento genético traçado foram filmados na seguinte situação: um contava ao outro um momento difícil de sua vida. A filmagem tinha como foco o ouvinte. As imagens foram, posteriormente, exibidas para desconhecidos que tinham que apontar quais eram os mais solidários à história que estava sendo contada e quais não pareciam se importar tanto. Os mais preocupados eram – bingo! – os “gegês”. O estudo é um desdobramento de um trabalho feito anteriormente pela americana Universidade de Oregon, que descobriu as variações genéticas ligadas à oxitocina, o hormônio envolvido nos processos de vínculo afetivo, empatia, conexões sociais. As descobertas podem ajudar no tratamento de distúrbios como o autismo, já que os AA e os AG correm mais riscos de desenvolver a síndrome. A forma como a genética afeta o comportamento, entretanto, ainda é pouco conhecida. Sarina Rodrigues Saturn, da Universidade de Oregon, lembra que qualquer um, entretanto, pode superar seus genes. Afinal, não é todo mundo que nasce com inteligência social em abundância, caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros personagens notórios (leia quadro ao lado). E dá um conselho sobre quem não nasce “gegê”. “Tudo o que essas pessoas precisam é de um pouco de estímulo para saírem de suas conchas.”

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ATENÇÃO
O gestor de projetos Beto Caleffi, de Porto Alegre, usa a comunicação
não verbal: lê expressões corporais e faciais para compreender
melhor os funcionários da empresa onde é sócio

Os primeiros ensinamentos sobre relações começam na infância. É de pequeno que se deve aprender a interagir de uma maneira saudável. “Esse primeiro momento é fundamental para o desenvolvimento psíquico e neurológico do ser em formação”, alerta o psiquiatra Ricardo Krause, especialista nas relações entre pais e filhos. “O estímulo externo orienta o caminho que os neurônios vão tomar na formação do cérebro.” Uma boa dica para os pais é falar sobre suas próprias emoções e sobre os sentimentos dos outros. De preferência, antes dos oito anos de idade. É o que aponta um estudo feito pela Universidade de Sussex, da Inglaterra, que mostrou que as mães que conversam sobre o estado mental e emocional das pessoas e delas mesmas criam filhos com uma inteligência social maior – mais atentos, empáticos e com uma compreensão mais ampla dos estados emocionas ao seu redor.

A boa notícia é que nunca é tarde para começar. A carioca Claudia Pimentel, 48 anos, virou uma aluna das competências sociais em tempo integral quando, há três anos, herdou uma fazenda de eucaliptos e de gado de corte. Foi preciso treinar, sobretudo, a habilidade social da empatia para entender a mentalidade de seus funcionários e o ritmo de vida do interior. “Queria também ser mais assertiva e dizer não sem ganhar cara feia em troca”, diz. Três anos depois, a vida ficou mais leve. Claudia, todavia, sabe que não pode se acomodar. Afinal, até os “gegês” precisam aprimorar sua inteligência social por toda a vida. 

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http://www.istoe.com.br/reportagens/185664_A+ARTE+DE+SE+RELACIONAR

quinta 26 janeiro 2012 12:10


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