Eles aparecem por aqui e a levam para almoçar e chamam a isso de AMOR.
Aparecem nas festas juninas e natalinas e reclamam de tudo na casa e chamam isso de FAMÌLIA.
Quando ela adoece e vai internada jogam na minha cara que não cuido dela, mas por que cabe apenas a mim o dever de cuidar da matriarca? Porque para eles fui eu que fui expulsa do paraíso e não Lúcifer!
Durante as campanhas o senhor Deputado fica dócil com os familiares, como se durante seu mandato se lembrasse que estes existem ou alguém além do seu infinito umbigo possa existir!
Reclamam de um corte de uma árvore plantada num local indevido e que uma vez na vida fazia sombra aos carros deles, mas não se ressentem do conforto que nem de longe proporcionam a genitora de todos nós e ela segue arrotando vantagens inexistentes sobre ser a mãe deles e seguirá sempre assim, apegada aos filhos homens, e segue sem perceber que somos nós, suas filhas, que suportamos ao longo de todos estes anos o seu sempre presente seu mau humor, sua mania de falar demais de tudo e todos, suas pragas, seus ressentimentos contra os homens, seu azedume, sua diabete, sua mania de ajudar e jogar na cara que faz isso e aquilo, mas e nós nada fazemos?
E a vida que abandonei pra ficar a seu lado todos estes anos? E os meus filhos?
Sou eternamente grata a tudo que ela fez e faz por eles, mas isso não irá me transformar numa escrava doméstica de minha família que nem lembra se eu existo ou não!!!
Estamos longe de sermos uma família padrão e, menos ainda, de termos ligações afetivas profundas.
Não sei quem são meus irmãos e nem mais quero saber e nem eles sabem quem sou e melhor que fique tudo como está. A humanidade agradece nosso distanciamento modelo! Que cada um siga sua vida e deixe o outro viver. Se não soubemos nunca sermos irmãos que como inimigos possamos ser mais decentes!!! O que deve nortear nossas relações é o silêncio puro e total para sempre. Obrigado mãe por isso também!
TEXTO de Ariel Ramirá